domingo, 19 de outubro de 2008

-MINHA ALMA CANTA, VEJO O RIO DE JANEIRO-

Estou no Rio. Estou há três meses a viver nesta cidade e acima de tudo a viver esta cidade. É maravilhosa. Mais maravilhosa do que diz o samba, mais nostálgica do que canta a bossa, mais ritmada do que passos ensaiados para desfile de carnaval. Mas é também muito mais que isso. É muito mais do que água de coco, caipirinha e calçadão, Cristo Redentor e Maracanã. Desse Rio é fácil gostar. É o Rio de passagem, o dos 15 dias, aquele que é cuidadosamente montado para quem vem, gosta e vai, e é tão fácil amar como trocar pelo próximo destino de sonho.

Há mais Rio para ver. Há finais de tarde perdidos na rua, junto de pessoas apressadas que regressam a casa em autocarros lotados que lhes apertam a alma e os sonhos. Pessoas que no embalo torpe desse autocarro velho começam a afastar-se da orla, a deixar para o dia seguinte a vista do mar, cingidas aos escassos centímetros do transporte público que em breve trocarão pelos igualmente asfixiantes das suas casas, e que não conseguem sequer sonhar com o dia em que (im)provavelmente vão morar na zona sul. Estão demasiado cansadas para sonhos, exaustas de esperança, e mesmo que por alguns minutos se permitam, mesmo que os murmúrios e suspiros de outros, que também já não ousam sonhar, lhes soem como banda sonora do filme da vida, são imediatamente trazidas à realidade pela cotovelada de mais alguém que tenta conquistar o seu espaço no "ônibus".
Esta realidade também é Rio de Janeiro. E é tão tocante como a do morro. São famílias com rendimento acima de comunidade, mas bem abaixo do requerido para usufruirem em pleno da sua própria cidade... e que ficarão sempre neste meio termo: vivem na cidade maravilhosa, naquela que tem sol e mar, mas levam horas para chegar à praia e mais horas para regressar a casa. Se fossem moradores da favela estavam mais perto, existem várias nas proximidades de ipanema e leblon, mas estas pessoas são justamente aquelas que podem e querem criar os filhos longe da "boca", longe do chefe da boca que os seduz diariamente com muitos reais...., e esse lugar, o lugar onde os seus filhos não brincam com armas nem acordam com tiros, é bem longe da zona sul que tem praia e mar e que eles não podem pagar.

Mas, digo e repito, o RIO É MARAVILHOSO SIM!, mesmo depois de sair da zona sul, ou melhor, exactamente por se sair da zona sul e se descobrir que não perdeu o encanto, pelo contrário, ganhou mais ainda! Há samba e bossa e arroz com feijão em cada esquina, respira-se clima tropical, futebol e animação em cada metro de calçada. Há sorrisos na cara e expressões verbais que nos caem nos ouvidos como música e nos põem a sorrir também. É a alma carioca minha gente! "E que alma boa essa! Bota boa nisso!"

"Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porquê
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de um minuto estaremos no Galeão
Este samba é só porquê
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar..."

Samba do avião
(Antonio Carlos Jobim)

sábado, 18 de outubro de 2008

-PARA A MANA-

As primeiras linhas são para ti. São para quem pode ter o meu amor incondicionalmente. São para a única pessoa capaz de tornar o Rio ainda mais maravilhoso. Eu sei que ia ser tudo muito mais intenso se estivesses aqui - as noites na Lapa teriam o nosso ritmo, as tardes de praia teriam o sal das nossas conversas e as manhãs ociosas desenrolar-se-iam no compasso lento da minha preguiça e da tua impaciência. Fazes-me falta